O uso da cinta para diminuir a cintura

Muito me questionam sobre o uso da cinta tanto para pós tratamentos estéticos como como para uso contínuo.

Para responder essas perguntas busquei a origem do espartilhos e sua evolução até a chegarmos a usuais cintas.

Na Espanha , no século XI, houve uma revolução da moda Européia onde os trajes ganharam curvas e em meio aos bordados  e volumes, o corpete estruturado passou a ser uma peça fundamental no vestuário feminino(SERRÃO; SOARES; 2013).

Desta forma, a silhueta esguia milimetricamente definida pelo uso excessivo de espartilho passou a ser sinal máximo de feminilidade e beleza pois além de definir curvas ressaltava o busto (SERRÃO; SOARES; 2013).

A complicada estruturação anatômica do espartilho apertavam as cinturas chegando a reduzi-las a 40cm  de diâmetro o  que causava pressão nos órgãos, deformação ou divisão no fígado, ou perfuração dos órgãos por costelas quebradas sem falar que o espartilho somado ao grande volume formado por várias camadas de roupas limitava os movimentos (GUSMÃO; 2012).

Por muito tempo o uso de espartilho era fundamental para a formação da mulher. Ainda menina, a futura dama era submetida a compressão na cintura e pressão nos seios com objetivo de estimular o desenvolvimento de uma silhueta harmoniosa (SERRÃO; SOARES; 2013).

Observe as imagens das alterações do corpo com o uso do espartilho:

Como diminuir a barriga usando cinta?

 

Imaginem a pressão que exercia sobre os órgãos do assoalho pélvico.

A invenção das cintas modeladoras pelo estilista Paul Poiret surgiu como evolução dos espartilhos porém com afrouxamento da silhueta mostrando a beleza natural do corpo feminino compreendendo uma nova maneira em que os corpos das mulheres interagiam com suas roupas e elas foram intensamente usadas pelas mulheres entre 1920-70 (PEREIRA; LEAL; 2009).

As cintas modeladoras com o passar dos anos foram se aperfeiçoando e se tornando mais leves,  diminuindo a intensidade da contração exercida no corpo e ganharam novas malhas com tecnologias e funções variadas, chegando a um alto nível de sofisticação, qualidade e conforto (PEREIRA; LEAL; 2009).

Ora queridos, sabemos que o tecido adiposo é um tecido dinâmico, que responde a estímulos externos como por exemplo nossas calças jeans ou as alças dos nossos sutiãs. Quem já viu aquela famosa foto da distribuição da gordura do abdome com o uso de calça jeans baixa? Ou percebeu a marca das alças dos sutiãs nos ombros das mães ou avós? Como vocês acham que isso acontece? Resposta: Acomodação do tecido adiposo a estes estímulos externos.

Calça Jeans apertada divide a barriga. Fonte:www.suecabral.com.br

Porém não se deve usar desta ferramenta, as cintas, por tempos muito prolongados, a consequência disso pode gerar varizes, dificuldade de digestão, cansaço fora do normal e problemas ligados aos órgãos sexuais. A mistura de elastano e outras fibras promovem conforto no vestuário porém ainda assim pode não haver respirabilidade suficiente podendo causar umidade e favorecendo a aparecimento de fungos causando doenças vaginais além dos males citados acima (GUSMÃO;2012).

Sem falar que nossos músculos do abdome são formados quase 70% por fibras tônicas que são fibras de resistência ou seja, que precisam estar ativadas para manter nossa postura ereta e em todas as atividades desempenhadas em nosso dia a dia. Essa estabilização contínua, por longos tempos, com o uso da cinta poderia estimular a diminuição do tônus destes músculos deixando a região enfraquecida.

 Mais uma vez, tudo com moderação. Sou a favor da cinta para reabilitação pós parto, em situações de pós operatórios, após alguns tratamentos estéticos e até mesmo um período antes de algum evento especial porém, tudo demais é veneno né.

 

 

REFERÊNCIAS

SERRÃO, C.R.V; SOARES, F.H; Espartilho: das amarras do século XVI ao fetichismo. 9o Colóquio de moda; 6o edição internacional; 2013.

PEREIRA, L.M; LEAL, A.T;  As cintas modeladora como modeladoras como produto de moda. 1o Encontro Paranaense de moda, designe e negócios; 2009.

GUSMÃO, N.N; Estética versus conforto físico. Revista Belas Artes. São Paulo, 2012.

 

0 respostas

Deixe uma resposta

Want to join the discussion?
Feel free to contribute!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *